Pelo twitter encontrei muita gente bacana e original, um dos casos é chamado Pablo Sica. Ele faz adesivos e placas com temática geek para todos os gostos. Com a bagatela de 20 reais comprei duas placas para a porta do meu quarto, uma do Gandalf - "You shall not pass"- do autor J. R. R. Tolkien e outra com a ameça do famoso Cthulhu - o deus extraterrestre - de H. P . Lovecraft.
Clicando aqui você poderá conhecer as placas de port e os adesivos de Star Wars, Iniciativa Dharma(seriado Lost), cultura cult e zumbies.
Não vou dizer que a capa tem muito estilo e o projeto gráfico teve sucesso na originalidade. Mas, oh, já disse.
Vamos aos pormenores. Annabel e Sarah são irmãs gêmeas que moram em Londres, filhas de pais separados. Annabel mora com o pai, um cinegrafista. Sarah mora com a mãe, uma cirurgiã plástica.
Annabel pinta o cabelo de preto, usando repicado. Prefere calças jeans e tênis All Stars. Enquanto Sarah é loira, doce e chega a pingar açúcar.
O autor não aprofundou muito a personalidade dos personagens, mas eu não o culpo. Descobri que o livro tinha o intuito de atingir as crianças de 10 anos. Mas ficaria muito melhor se no fim sentíssemos um forte apego por certo personagem, isso poderia ter sido feito nas primeiras páginas da obra em que o ritmo da fantasia não tinha aparecido ainda.
Sarah é puxada para dentro de uma Tv por duas mãos. Annabel vai ao seu encontro.
Com a promessa de que terá sua irmã de volta se encontrar a Flor Amor Perfeito e entregá-la para a misteriosa Estrela-da-Manhã.
A ironia
”A moda atualmente é o escárnio sutil. Se por um lado não é muito diferente do escárnio habitual , por outro tem uma sonoridade mais agradável...”(pg.14)
O livro tem bons momentos de ironia e respostas nada sutis, na realidade as crianças que aprenderem com Annabel essa arte, estão em boas mãos.
A rede invisível de alusões
Para os mal avisados,passará sem ser notados todas as homenagens descaradas que autor faz. Nãoacredito que ele teve a intenção se fazer parecer com Alice do famoso Carrol. Para os bibliófilos é comum fazer comparações com outras obras, mas isso cai por terra bem rapidinho.
Jim Anotsu conseguiu ser muito eficiente em fazer um mix com música, literatura e mistério.
Enquanto Sarah vai parar em uma cidade chamada Allegria onde as pessoas comem uma torta de morangos para ficarem felizez (ok, isso soou um pouco da Soma de Aldous Huxley, mas vai dizer que não conhece ninguém que toma antidepressivo?!), o fato é que Allegria vai tornando-se um antro de angústia tanto para Sarah quanto para o leitor. Afinal, chorar e reclamar é uma coisa muito boa e ser feliz o tempo todo é ruim.
Antes de saírem do mundo real elas compram biscoitos da sorte em uma caixinha em forma de coração, o título do capítulo é Caixa em forma de coração(Ouçam a música do Nirvana, Heart Shaped Box)
Annabel, por sua vez, vai para em uma cidade chamada Keurouac(homenagem ao autor Jack Keuroac?, autor do conhecido On the road), onde os seres humanos são vistos como selvagens ou alimento. Os animais falam e agem como humanos, ela encontra o simpático Dean Chinaski, a raposa que a leva até Op Spade, um lobo detetive.
"A mesa estava abarrotada de pastas amareladas e havia uma estátua de falcão feita de obsediana."(pg.62)
O Falcão Maltês é um livro obrigatório para todos os fãs de literatura policial, escrito por Dashiell Hammett que nos apresenta o detetive Sam Spade.
O cinema também está presente no capítulo Corra, Sarah! Corra!. A ssistam o filme Corra, Lola, Corra.
O autor deve ter tido algum trabalho ao conseguir equilibrar a mesma quantidade de ação em ambos os capítulos, já que um nos leva ao ar noir e investigativo de Keuroac e o outro para a colorida Allegria.
Por fim digo: A originalidade do autor brasileiro que usa o psedônimo de Jim Anotsu será muito bem vinda em um próximo romance. Torço que mais adulto! Palmas.
Um segredo: Na maioria das histórias de ficção-científica, para mim era comum ter que voltar alguns trechos para entender completamente o significado da passagem. Neste livro não foi necessario voltar nenhuma vez. Decidi ler o livro de Fábio Fernandes depois de ler o conto A Biblioteca no Fim do Mundo, que de certa forma se encaixa nesta utopia distópica ou distopia utópica... A obra trabalha a partir do ponto de vista do personagem principal, Artur. Professor universitário e técnico em computadores. Artur nos narrar através de um diário hibrído, um blog e podcasts os acontecimentos do mundo. O diário hibrído é parte de um blog e parte papéis com anotações. Nele Artur faz sua apresentação, visão de mundo e os acontecimentos do ano 2010, onde aparentemente um vírus faz com que os computadores mantenham-se ligados mesmo sem estarem na tomada ou fazerem outras coisas anormais. O blog narra os eventos de 2013 e as mudanças que o mundo sofreu depois do Despertar em 2010, o evento que fez com que as máquinas tivessem adquirido consciência. Agora os humanos se reportam a elas como Inteligências Construidas, em certos aspectos elas lembram os daemons criados por Philip Pullman, já que ficam com os donos dos objetos onde despertaram. 2016 - Os podcasts são narrados por um Artur diferente do começo, agora ele é um tecnoxamã. Trabalhando para uma empresa e é responsável por cuidar de pessoas "infectadas" por um vírus capaz de apagar a memória dos humanos. Sim, a humanidade parte para um futuro onde pode-se armazenar a inteligência construida em um dispositivo colocado dentro do crânio. No fim do livro o conceito de nanotecnologia começa a espantar o leitor mais observador para um perigo comum. Máquinas usando nossos corpos para viver...
O princípio do livro é que estamos no ano de 2109 e que Dias de Peste é na verdade uma coletânea de informações de um passado muito diferente escritos por Artur. Os rodapés durante grande parte da obra são como links para informações estranhas como gírias e personagens que nunca ouviram falar. Conforme o livro avança a angústia vai tomando conta dos leitores que não se veem sem a tecnologia atual (como eu :p), mas links tiram boas risadas tentando decifrar coisas comuns para nossos dias. Fábio Fernandes é um professor(e tradutor de Laranja Mecânica entre outros, morram e inveja!) a obra deixa isso transparecer com facilidade, ela é recheada de referência cyberpunk, literárias, histórica e pop. Ele trabalhou muito bem com a sociologia, ciência e religião sem ser cansativo(meu professor de Fundamentos Sócio-Antropológico irá se apaixonar por um trechinho da página 104 sobre os nativos da internet). Parábens ao escritor, que venham os próximos livros!
Os dias de peste Fábio Fernandes Editora Tarja Editorial 184 páginas.
Que convite absolutamente charmoso para iniciar um livro repleto de contos com os estilos mais apreciados pelo meu cérebro nerd.O livro é da Tarja Editorial, organizado por Richard Diegues. Vamos aos comentários conto-a-conto:
MAINI-IN Express > Richard Diegues
Bem melhor do que o conto do quarto volume, que se passa no mesmo universo que este, teve um forte apelo de tecnologias envolvidas em uma futura empresa de entregas em que os “carteiros” são os peões em um jogo de guerra entre países da América do Sul.
Vento, Seu Folêgo.O Mundo, Seu Coração > Jacques Barcia
Eu confesso que tive que dar um “gloogle it” antes de ter coragem de comentar este conto. O autor quis trazer para o nosso contexto dois épicos indianos: Mahabharata e Ramayana. Sinceramente, ainda estou digerindo a história. Tem guerra, nomes estranhos e explosões.
Um Forte Desejo > M. D. Amado
Assim como o conto Fogo de Artifício este traz uma forte marca de sexualidade bem adulta. M. D. Amado mostrou que não existem apenas lobisomens nos dias de Lua Cheia.
Mendigo e o Dragão > Bruno Cobbi
Fantasia urbana. Para quem gostou de Tropa de Elite é uma boa, não pra mim.
Una > Roberta Nunes
Melhor conto desta coletânea. Una é uma extraterrestre que tem como missão levar o prazer aos mais diferentes planetas.Até chegar ao Planeta Terra e ter encontrar Ada, o nosso atual Adão.
Aqui Há Monstros > Camila Fernandes
Já conhecia os textos da autora de tempos atrás. A qualidade melhorou muito e a poesia em sua escrita também. Um náufrago em uma ilha que se apaixona por uma antiga criatura conhecida por todos os apaixonados por mitologia grega.
Fogo de Artifício > Eric Novello
O conto apresenta-nos o alter-ego do autor (espero não estar errado). O mago investigador do BEAST – Batalhão Especial de Assuntos Sobrenaturais -, Ícaro que trabalha em um caso de assassinatos cometidos pelos personagens de Alice no País das Maravilhas.
O conto nos introduz na “Torre Negra” do mundo de Novello, o bar Néon Azul, que é também o título do seu próximo romance que será lançado pela Editora Draco.
Sinfonia para Narciso > Cristina Lasaitis
Já tinha ouvido falar muito desta escritora, o prazer foi meu! Bem escrito e bem trabalhado, o problema fui eu atrás do livro, que não sou apaixonado por psicologia. Mas a história de Alberto e seu amor próprio é uma poesia para ser revisitada.
A Lenda do Homem de Palha > Leonardo Pezzella Vieira
O conto é bom. Às vezes eu até prefiro que os humanos se dêem mal em algumas histórias. Essa é uma delas, sobre um espantalho e um grupo de meninos idiotas.
A Teoria na Prática > Romeu Martins
Achei que puxou muito o saco do pessoal Terroristas da Conspiração. O conto poderia ter englobado temas melhores e mais interessantes...
O Combate > Maria Helena Bandeira
Esse conto merece aplausos, me enganou bonitinho. Pensei que era uma sociedade nos moldes gregos, pura ilusão.
O Templo do Amor > Ana Cristina Rodrigues
Ao embalo da música Temple of Love, a autora de Anacrônicas, escreveu um belo conto onde luxúria e morte divide uma fina linha.
Madalena > Osíris Reis
Madalena é uma jovem. O padre é um pedófilo. Ela é assombrada por uma criatura feroz. Ele pelos próprios desejos, sem vergonha. O conto aos poucos vai tornando-se angustiante.
Bom, como eu sempre faço as coisas pelo avesso, comecei a ler a conhecida série Paradigmas pelo último volume. Diga-se nesta passagem último tanto no sentido numérico - volume quatro - como da última coletânea que o escritor Richard Diegues irá organizar sob o título Paradigmas.
O valor baixo e as capas já são um atrativo empolgante. As capas são obras-primas que só valorizam mais os livros, feitas pela escritora e ilustradora Camila Fernandes. Para mim soam como retalhos de sonhos sobrepostos que dizem "boas-vindas" aos leitores. (Qual escritor quer uma capa com esta qualidade, ergue o dedo!) A valorização dos autores é visível nesta coletânea, já no começo do livro (diferente das conhecidas e taxadas 'pagou-publicou'). Desde as duas introduções que abrem o livro, seguidas com a biografia dos autores. Na abertura de cada conto há uma nota dos autores ao lado esquerdo da obra, em transversal, o que torna as histórias mais pessoais e próximas dos leitores.
São 13 contos de autores iniciantes e de outros bem experientes; o número é sugestivo, vamos as minhas conclusões de conto por conto (as conclusões são minhas, se você não concordar eu não posso fazer nada!)
Uma Flor a Gambô > Richard Diegues Ok, ok. Tem a AIDS, tem magia, e uma ciência misteriosa. Apesar de eu não ter entendi bem o que ou autor quis passar no fim do conto. Talvez uma segunda leitura me esclareça mais...
O Diamante Laranja >Adriana Rodrigues Uma mistura proposta pela autora de Harry Potter e Agatha Christie. O conto é bem convincente em todos os aspectos que a autora buscou trabalhar. O tema escolhido é bem simples o que tornou a história leve e agradável.
A Biblioteca no Fim do Mundo > Fábio Fernandes Um palavra: Perfeito. Sempre fui meio preconceituoso com livros de FC brasileira(uma coisa idiota, eu admito), mas este conto me conquistou. Ele lida com o desaparecimento da raça humana da Terra e a saudade que as inteligências criadas pelo homem sentem deste.Tenho que ler o livro de Fábio Fernandes este ano ainda.
A Mãe da Montanha das Águias > Ana Lúcia Merege Olha quem aparece aqui no blog de novo. Agora sim posso afirmar que a Ana já tem um estilo próprio que pode ser comparado com o livro(se estiver curioso desça um pouco mais a página e leia a resenha de O Caçador). A história trabalha com uma época perdida da Pré-História onde sonhos são tão importantes para a sobrevivência quanto a caça.
A Última Prece > Rober Pinheiro Um padre que aceita um pacto demoníaco, uma voz em sua mente e um crime. O final podia ser melhor.
Barquinhos de Papel e Outros Origamis > Sandro Côdax Um Almirante que se vê face-a-face com o Deus Tritão, Senhor dos Mares. Espantado se refugiu em uma fortaleza longe do mar, fugindo da fúria das águas. Não deu muito certo, coitado.
A Tal Aranha-da-Lua > Carlos Abreu Um cenário de FC misturado com os ares de investigação Noir. Não funcionou muito bem, pelo menos para mim.
12 Vidas > Leonardo Pezzella Vieira Pra mim é o melhor conto deste volume. Tentei achar um padrão que pudesse classificá-lo; não sei se estou certo ou não, mas pelo que eu ouvi e li sobre o New Weird, este é o gênero desta obra. O autor coloca 12 micro-contos (usando 12 personagens diferentes) em sintonia para formar um cenário de uma cidade misteriosa, que na realidade é o personagem principal.
O Evangelho Segundo Eu Mesmo > Roberta Nunes Um Cardeal imortal que está por trás dos maiores crimes da Igreja Católica. Pessoalmente não gosto de contos deste gênero. O Jantar > M. D. Amado Espantoso. Quando o autor cita que teve essa ideia quando lia A Menina que Roubava Livros, eu não imagina que vinha esse conto espantoso e canibal.
Você Vai Seguir Meu Caminho? > Marcelo Jacinto Ribeiro Um dos maiores contos do livro. Nele extraterrestre aperfeiçoam o corpo e mente de pessoas aleijadas para limpar o mundo dos criminosos. Acredito que o conto poderia ser menor e mais ágil.
O Caçador de Deus > Georgette Silen Resumindo: Sobrenatural nos Tempos da Inquisição. Gostei, espero que a autora use o perosnagem principal em outras histórias quiçá em um romance.
O Demônio das Florestas Tropicais > Ronaldo Souza É o conto que tem mais raizes com a cultura brasileira. Mostra o ponto de vista de um Curupira, ou, Couuru Pierr Rarr.
Para quem correr para o fim do blog notará que o primeiro post feito foi com uma estrevista com Ana Lúcia Merege. Depois de algum tempo, digamos alguns anos, posso enfim anunciar que a obra O castelo das águias que será lançado pela Editora Draco. Mas esta é a resenha de outra obra dela, lançada pela editora Franco. A obra entitulada O Caçador que traz como personagem principal o homem que tinha a missão de levar para a rainha o coração da jovem Branca de Neve. Eu realmente gosto de histórias com coadjuvantes de outras obras... Se não fosse o caçador talvez nunca a jovem Cinderela tivesse perdido o famoso sapatinho de cristal, esse foi um dos momentos realmente legais do livro. A nova roupa do rei, Bela Adormecida e Rapunzel são apenas alguns exemplos das histórias que se entrelaçam nesta obra. Engana-se você que pensou até aqui que é uma obra para crianças no estilo de Shreck ou Deu a louca na Chapeuzinho Vermelho. O livro traz uma escrita adulta onde divergem coisas como sexo e paixão. Leitores jovens podem ler sem problema algum, mas Ana Lúcia entra em áreas - com muito respeito, diga-se de passagem - onde outros autores não procuram ir mais afundo por medo de sexualizar a história. Na minha opinião a terceira parte do livro, onde o Caçador toma um rumo mais seu, é a melhor fase do livro. Um toque de Jack London e sentimentos pertubadores quanto a uma garota que mora na cidade próxima a floresta em que o caçador decide morar... Espero ansioso a próxima obra da nossa Merege, onde os personagens são totalmente criados por ela. Mais uma nota profética: Não haverá arrependimentos em ler O castelo das águias. Fico por aqui. Boa leitura.
Uma das minhas (muitas) promessas para 2010 era de resenhar todas as obras (brasileiras) que eu lesse. Ontem o carteiro trouxe minhas encomendas, e entre elas Hector & Afonso de Estevão Ribeiro e Anacrônicas de Ana Cristina Rodrigues. Conheci a obra de Hector & Afonso através da Ana(esposa de Estevão) e me apaixonei logo de cara depois de passear pelo blog. Na primeira página do HQ, Estevão escreveu: "Para Alex Bastos, com 'Abastros'.'' O que já me fez ficar ansioso pela leitura. Deitei sob a luz do abajur e fui lendo. Em cada página vi traços de minha personalidade, dos meus amigos escritores e de nossos sonhos... Claro, que um pouco mais engraçadas. A única coisa que posso dizer de Hector & Afonso é que encontrei o humor ácido, as piadas inteligentes e as críticas cômicas que antes eu só via em Calvin and Hobbes. Altamente recomendável!
Demorei, mas adquiri a obra de Ana Cristina Rodrigues, uma coletânea de contos que divergem entre História, Fantasia e FC. Os contos que mais me chamara a a atenção foram estes:
A Princesa de Toda a Dor: a história de uma índia com um poder nada comum.
A Casa do Escudo Azul: um futuro pós-apocalíptico em que livros como "A Utopia" e "Harry Potter e a Pedra Filosofal" serão obras de valor incalculável.
A dama de Shallot: a história de uma jovem que se apaixona por Lancelot e tem um filho com este, Phellipe Riversonque depois decide batalhar ao lado do Rei Arthur.
O Baile das Máscaras: um conto rápido com profunda conotação moral, faz nos pensar sobre nossos atos.
Apocalypse NOW!: Uma brincadeira rápida com os principais tópicos escatológicos do Livro das Revelações.
Alguns contos são bem melhores que outros, mas o livro tem uma escrita bela e frágil, a autora pareceu trabalhar todas as frases cuidadosamente. Um belo prólogo para a esperada obra-prima chamada Finisterra... Que um dia Ana nos brindará!